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	<description>Site do Mestre Zen Tokuda Igarashi: a fênix e o dragão</description>
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		<title>Unsui</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pergunta: O que é unsui? Resposta: Unsui quer dizer o monge, quer dizer &#8220;nuvens e água&#8221;, como Mestre Sawaki, que se chamava &#8220;Kodo sem lar&#8221;. É inútil ter títulos, é inútil ser orgulhoso, somente monge Zen, somente unsui, &#8220;nuvens e água&#8221;. E, de repente, mestre Sawaki foi convidado para ser professor da Universidade. Ele não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta</strong>: O que é <em>unsui</em>?</p>
<p><strong>Resposta</strong>:  <em>Unsui</em>  quer dizer o monge, quer dizer &#8220;nuvens e água&#8221;, como Mestre Sawaki, que se chamava &#8220;Kodo sem lar&#8221;.  É inútil ter títulos,  é inútil ser orgulhoso, somente monge Zen, somente <em>unsui</em>, &#8220;nuvens e água&#8221;.</p>
<p>E, de repente, mestre Sawaki foi convidado para ser professor da Universidade. Ele não tinha título algum, mas mesmo assim ele foi convidado pelo diretor da Universidade, como professor de zazen para ensinar aos monges iniciantes.  Perguntaram ao Ministro da Educação se podia ser feito.   Ele disse: &#8211;  &#8220;Oh! Mestre Kodo! Ele é excelente, é meu professor de zazen&#8221;. </p>
<p>Isso está além da hierarquia, das condições e dos limites. Sua força era fora do comum. No ano passado, eu visitei um grande templo na cidade de Nagasaki.  Era um templo comparável àquele de um Senhor dos tempos antigos, muito grande, muito rico.  Muitos jovens monges trabalhavam lá e, ainda que ninguém fizesse zazen, todos respeitavam Mestre Sawaki. Já é alguma coisa&#8230;</p>
<p>No ano passado um grupo de monges Soto visitou a Coréia. Esses monges vinham de Sho-bo-ji, o templo de Daichi Zenji, este mestre era muito conhecido, foi duas vezes à China. No decurso da viagem de Daichi Zenji à China, o barco se desviou para evitar um ciclone e foi à Coréia onde ficou durante alguns meses. Recebeu muita ajuda dos habitantes daquele país. Os monges japoneses em visita a este templo na Coréia foram muito bem recebidos graças à história de Daichi Zenji.  </p>
<p>No fim da visita,  um monge japonês perguntou ao mestre do templo, que era uma monja muito bonita, muito serena: &#8220;O que a senhora acha dos monges japoneses?&#8221; Muito calmamente essa monja respondeu: Os monges japoneses nada têm que se pareça à fé que nos faz praticar o zazen como uma questão de vida e morte.  A energia do Zen está prestes a mudar:  Zen vietnamita, Zen coreano, Zen japonês e também Zen francês. Praticar o Zen é decidir morrer por esta prática. Esta prática é a dor, inúmeras dúvidas, hesitações.</p>
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		<title>Morte</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pergunta: Durante o ensinamento, você falou do satori e da morte. Você disse que algo se passava no momento da morte. Que conhecimento você tem da morte? Como é que você sabe disto? Resposta: Bem, a morte! Falar da morte física ou falar da morte espiritual é diferente. A escola Zen em geral menciona três [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pergunta: Durante o ensinamento, você falou do satori e da morte.  Você disse que algo se passava no momento da morte.  Que conhecimento você tem da morte?  Como é que você sabe disto?</p>
<p>Resposta: Bem, a morte! Falar da morte física ou falar da morte espiritual é diferente. A escola Zen em geral menciona três coisas importantes:</p>
<p>1.	A grande dúvida<br />
2.	A grande fé<br />
3.	A grande morte</p>
<p>A dúvida vem a propósito da vida e da morte.  Quando nos encontramos com o ensinamento, o mestre, a religião, a filosofia e quando cremos nisso firmemente, a etapa seguinte é &#8220;morrer para si mesmo&#8221;, para esta religião, este mestre etc. Para poder entrar.</p>
<p>Às vezes vemos pessoas de idade que, segundo os médicos, vão morrer dentro de um mês, amanhã, e que apesar de tudo permanecem apegados ao dinheiro e a outras coisas. Mas no momento da morte, esta pessoa se mostra tal qual ela viveu sua vida cotidiana. Neste momento, apesar de todo seu dinheiro, ela não pode mais comer porque seu corpo não aceita mais nada. Às vezes,  nem visitas,  nem amigos,  nem seus filhos e ela morre assim.</p>
<p>Hoje em dia, nos hospitais, se está conectado a tubos e fios por toda parte. É terrível. Mas, às vezes, pessoas simples, muito idosas, morrem cercadas de seus numerosos filhos e netos, todo mundo está sorridente e neste caso não são seus filhos que lhe prestam, mas são estas pessoas que os recebem, os consolam e eles morrem na alegria, dizendo &#8220;até logo&#8221;.</p>
<p>Na minha opinião,  existem três coisas em nossa vida:</p>
<p>A primeira: uma parte de comida. Na nossa vida cada um de nós tem o direito a uma parte de comida. Não sabemos qual quantidade, mas uma parte de comida nos é devolvida nesta terra.</p>
<p>A segunda: uma parte de vida.  No nosso nascimento, nossa vida já está contada, mas não sabemos disto.</p>
<p>A terceira:  uma parte de felicidade.  De felicidade na existência.</p>
<p>Se reunirmos estas três partes completamente, é uma vida maravilhosa.</p>
<p>Quanto a isso, há uma história engraçada. Uma pessoa morreu. Naturalmente, foi direto para o inferno. O Senhor dos Infernos começou a consultar o Livro, verificando a identidade dessa pessoa, os atos que ela cometeu, e não achando nada disse: &#8211;  &#8220;Que faz você aqui? Não devia estar aqui&#8221;.  Então,  consultou novamente seu Livro e disse: &#8220;Ah, compreendo agora.  É que acabou a parte da comida.  Sua parte de comida se esgotou pelo desperdício, mas você ainda não terminou sua parte de existência&#8221;.  A pessoa perguntou: &#8211; &#8220;Que farei então?&#8221; &#8220;Volte lá para baixo&#8221;. Finalmente lhe enviaram de volta para a terra. Ele saiu de seu caixão, renasceu e viveu de novo e se diz que dali para frente nada mais pode comer senão folhas de lótus. Esta história nos mostra a parte de comida, a parte de vida, e a parte de felicidade. </p>
<p>No Shobogenzo existe um capítulo intitulado &#8220;A vida e a morte&#8221;. É uma das partes mais importantes do treinamento Zen compreender o que vem a ser a vida e a morte.  Nos dias de hoje, há uma forma de estudo que se chama a Tanatologia do Zen, o estudo da morte.  Como se deve preparar para isso, como se ocupar de uma pessoa no estágio terminal,  que se sabe não recuperará mais a saúde. </p>
<p>Eu que exerci a medicina tradicional chinesa,  encontrei muitas pessoas que vinham me ver no estágio último de doenças tais como o câncer.  A teoria se encontrava lá, mas a realidade não era fácil. Essas pessoas tinham chegado ao último momento, quando o médico lhes havia abandonado, com uma última esperança em algo de novo, a medicina chinesa, queriam um milagre,  talvez porque eu fosse monge.</p>
<p>Um de meus discípulos que tinha câncer fez exames num centro de cancerologia no Japão. A construção era muito moderna, dispondo de excelentes equipamentos e uma tecnologia de ponta, uma escada rolante, tudo absolutamente perfeito. Mas a atmosfera, a energia neste lugar era tão pesada que os médicos, os pacientes, as famílias todos tinham o sentimento que amanhã ou depois de amanhã todos iam morrer. O discípulo, depois de ter recusado o tratamento de quimioterapia, voltou-se para a medicina chinesa comigo. Mais tarde ele foi a um estabelecimento de cancerologia holístico. Nesse centro, muitas das pessoas eram ex-pacientes de câncer que tinham sobrevivido, estavam felizes, sorridentes. A atmosfera era completamente diferente. Esse centro tinha sido fundado por uma comunidade cristã. Eles aplicavam medicina chinesa, taoísta, holística, budista e os princípios psicológicos também, mas sem utilizar seus nomes, eram católicos.  E o que se produzia ali era exatamente shiryo, fushiryo, &#8220;pensar no não-pensamento&#8221;.</p>
<p>Sim, existia o câncer, mas não se lutava contra o câncer, não se tocava tal coisa. Então o que se passava?<br />
Se você luta, perde a energia e certamente morrerá. Então aceite isto.  As ilusões, os problemas, sim, isso existe, mas aceite-os.  Em seguida,  não se trata de lutar com isso, mas de brincar com isso. É como o zazen. Diz-se: &#8220;Hoje isso dói, dói mais do que ontem&#8221;. </p>
<p>Isso é brincar com a dor. Podemos fazer isso. Podemos ver que a dor existe, mas se você se brincar com esta dor, não há nada senão a dor e este universo se torna a dor. A dor existe, mas se nós a observarmos dizendo: &#8220;Oh! Está especialmente doloroso hoje&#8221;, isso quer dizer que a vemos a partir de um ponto, de um lugar onde não há mais dor e assim, se pode começar a brincar com ela.</p>
<p>O câncer é como o zazen, quando de repente você esquece tudo, quando você entra no samadhi, hishiryo. Então o câncer fica surpreso e se distancia dizendo: &#8220;Este não é um lugar para mim&#8221;. Nem sempre acontece assim.</p>
<p>É como a predisposição do bodhisattva em tomar a si o sofrimento dos outros. Se for algo dinâmico como dar a outra face após ter sido batido em uma das faces, o fato de tomar a iniciativa muda a relação com o sofrimento ou com a violência.  Assim, dessa maneira se trabalha para os outros.  Bem entendido, se fica exausto fisicamente,  mas sente-se muito feliz.  E quando vem o momento de morrer, se diz: &#8220;Finalmente vou descansar um pouco&#8221;.</p>
<p>Quando morre um monge não se diz que ele morreu. Diz-se senge. Senge quer dizer mudar de lugar para continuar o ensinamento. Os mestres mudam de lugar para continuar a ensinar. Mas vocês mesmos são os mestres se continuarem a praticar.</p>
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		<title>Planejar o Futuro</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pergunta: Ocupar-se do momento presente exclui planejar/projetar para o futuro? Não se ocupar nem do passado nem do futuro e ter projetos para a vida cotidiana, será tal coisa possível? Até onde se pode projetar? Isso me coloca um grande problema. Resposta: Esta pergunta é muito importante. Dogen Zenji disse: &#8220;Quando abrimos as mãos e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta</strong>:  Ocupar-se do momento presente  exclui  planejar/projetar para o futuro? Não se ocupar nem do passado nem do futuro e ter projetos para a vida cotidiana,  será tal coisa possível? Até onde se pode projetar? Isso me coloca um grande problema.</p>
<p><strong>Resposta</strong>:  Esta pergunta é muito importante.  Dogen Zenji disse: &#8220;Quando abrimos as mãos e largamos tudo, temos as mãos enchidas&#8221;.  Quando se começa a falar, muitas palavras chegam naturalmente.  O que você quer,  aquele lugar ao qual você quer chegar não se produz forçosamente do jeito que você está querendo.  Mas quando se dá um passo atrás, aquele objetivo avança e vem em sua direção.  É exatamente como eu disse, caminhar na chuva de granizo.</p>
<p>No que me toca, eu fiquei freqüentemente com raiva porque nada tinha para o amanhã, tinha fome. Subitamente,  certo dia, alguém veio e me colocou na mão um cheque de mais ou menos quinhentos reais. Quando esperamos,  nada vem, e quando não esperamos mais, as coisas chegam. Nossa vida é assim.</p>
<p>Antes de vir para o Brasil, eu trabalhava no Japão como editor de uma editora. Eu tinha que me encontrar com professores universitários  muito importantes, mas muito ocupados  e obter deles artigos para  publicar.</p>
<p>Eu queria, mas não era fácil porque todo mundo era muito ocupado.  Eu lhes visitava cedo de manhã, sobretudo quando chovia, mas nem sempre conseguia, ou então tarde da noite.  Mas isso era muito delicado. Eu tinha começado a estudar seus hábitos,  sua origem,  suas atividades e seus hobbies.  Um dia,  eu me encontrei com um grande professor, eu diria o professor dos professores.  Havia muitos de seus discípulos antigos que estavam agora como professores de eminentes universidades.  Esse grande professor já estava aposentado e era muito difícil encontrar com seus discípulos,  que eram muito orgulhosos e desagradáveis.<br />
Então, eu prestei uma visita a este grande professor que havia traduzido um livro do Shobogenzo e lhe contei sobre minha experiência no mosteiro, de monge, esquecendo que eu precisava de um artigo. Começamos a falar livremente do Zen, do Caminho, do Dharma.   Eu esqueci da hora e em certo momento disse: &#8220;Eu tenho que ir embora&#8221;. Então o professor me disse: &#8220;Espere, espere, você esqueceu isto&#8221;.  E ele me entregou um livro que já estava pronto. </p>
<p>A partir do momento em que obtive um artigo deste professor, todos seus discípulos concordaram que deviam me entregar artigos deles também, sem que fosse necessário pedir demais.  Isso não acontece sempre assim, mas com o zazen, o estado de espírito se modifica pouco a pouco.  </p>
<p>Em geral é preciso planejar e organizar as coisas,  mesmo que não estejam indo como se deseja, mas com o tempo, a prática, isso tudo muda um pouco e começamos a nos liberar, a abandonar, a deixar cair esta necessidade de se preparar.  E quando nos encontramos aqui, então chega tudo.  Isso é sem dúvida uma coisa maravilhosa da existência.</p>
<p>É neste sentido que Dogen Zenji diz que quando nos esforçamos por obter a iluminação, é uma ilusão. Quando todos os fenômenos dão a confirmação de sua iluminação, isso é o satori.</p>
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		<title>Medo</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:40 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Pergunta: É normal ter medo? Resposta: Esse medo é muito importante. Diz-se que se trata do medo do Dharma. É como uma grande porta, é necessário dar um passo para dentro e então o medo desaparece. Mas, uma vez tendo dado este passo, não se tem mais possibilidade de volta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta</strong>: É normal ter medo?<br />
<strong>Resposta</strong>: Esse medo é muito importante. Diz-se que se trata do medo do Dharma. É como uma grande porta, é necessário dar um passo para dentro e então o medo desaparece. Mas, uma vez tendo dado este passo, não se tem mais possibilidade de volta.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Atitude durante o Zazen</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:39 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Pergunta: Sobre a postura e a atitude durante o zazen. Deixa-se passar os pensamentos, para ganhar a concentração. Como muitos pensamentos vêm, a prática se torna um tipo de ida e volta entre pensamento- concentração e pensamento-concentração. Este fenômeno de ida e volta incessante é bastante frustrante. Resposta: Durante o zazen, muitos pensamentos se manifestam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta</strong>:  Sobre a postura e a atitude durante o zazen. Deixa-se passar os pensamentos, para ganhar a concentração. Como muitos pensamentos vêm, a prática se torna um tipo de ida e volta entre pensamento- concentração e pensamento-concentração. Este fenômeno de ida e volta incessante é bastante frustrante.</p>
<p><strong>Resposta</strong>:  Durante o zazen, muitos pensamentos se manifestam porque o pensamento, ele mesmo, se modifica sem cessar, como uma cascata. É para evitar estes pensamentos que existe esta postura. Existem outras formas de meditar: em pé ou deitado&#8230; Como os Hindus descobriram esta postura, eis aí também uma boa pergunta sobre o zazen.  </p>
<p>É necessário ler e reler o &#8220;Fukan Zazenji&#8221; e voltar a ele cada vez. O kyosaku é igualmente muito importante, não no sentido de uma punição, mas para dar coragem para efetuar este salto. O mais importante no zazen é realmente pegar aquela sensação: &#8220;O zazen que se torna zazen&#8221;. </p>
<p>Tente uma vez sentir a assimilação de toda energia do universo ao nível do kikai, este ponto fundamental que é a base de todas as artes japonesas (a pintura sumiê, a caligrafia e as artes marciais).  É possível tocar este ponto e de o sentir fisicamente. Concentrar-se no kikai não é suficiente para eliminar os pensamentos, mas voltando a essa concentração pouco a pouco, isto vai modificando as coisas. Não é o shikantaza, mas se pode ao menos praticar isto. Keizan Zen-ji escreveu sobre este método que se pode utilizar. </p>
<p>De qualquer forma sentar assim é a base do shikantaza. É melhor fazer o zazen no inverno porque o zazen aumenta a temperatura, aquece o corpo; é possível sentir este calor. Aqui no Rochedo de la Baume é muito gostoso porque é fresquinho.  Quanto ao zazen durante o verão, em geral se diz então, nem mesmo os cães comem.</p>
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		<title>Amor e Compaixão</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pergunta: Eu tenho uma pergunta quanto às &#8220;quatro práticas do Bodhisattva&#8221; (&#8220;Bodaisatta-shishobo&#8221;). Neste capítulo, Mestre Dogen fala da compaixão e do amor e diz que o amor vem de um coração cheio de compaixão. Resposta: De fato, são as palavras de amor que vêm de um espírito de compaixão. Pergunta: Minha pergunta era: &#8220;Quanto ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta:</strong>  Eu tenho uma pergunta quanto às &#8220;quatro práticas do Bodhisattva&#8221; (&#8220;<em>Bodaisatta-shishobo</em>&#8221;). Neste capítulo, Mestre Dogen fala da compaixão e do amor e diz que o amor vem de um coração cheio de compaixão.</p>
<p><strong>Resposta</strong>: De fato, são as palavras de amor que vêm de um espírito de compaixão. </p>
<p><strong>Pergunta</strong>:  Minha pergunta era: &#8220;Quanto ao amor, você disse que o amor estava ligado com o Buda Maitreya&#8221;. </p>
<p><strong>Resposta</strong>:  &#8220;Eu disse isto? Não me lembro de tê-lo feito&#8221;.</p>
<p><strong>Pergunta</strong>:  &#8220;Foi numa observação passageira, nada mais&#8221;.</p>
<p><strong>Resposta</strong>:  &#8220;No Budismo não se utiliza a palavra &#8220;amor&#8221;. Em sânscrito, &#8220;amor&#8221; é traduzido por tanha, que quer dizer &#8220;sede de amor&#8221;. Se Agape encarna o amor espiritual e Eros o amor carnal, no budismo a noção de amor se aproxima mais do lado de &#8220;Eros&#8221;,  a saber, o aspecto erótico do amor, tanha, que é considerado como uma sede desesperada,  uma coisa desejada e sobre a qual não temos controle.  A imagem é aquela de lamber o mel sobre uma faca afiada: quanto mais se quer, mais se corta a língua.  Esta é a visão budista do amor.  Esse tipo de amor espiritual (agape) talvez seja a compaixão. </p>
<p>De qualquer maneira, não utilizamos a palavra &#8220;amor&#8221;.</p>
<p>Segundo o que se acredita, quando temos necessidade de ajuda, pede-se ao Buda Amitabha ou ao Bodhisattva Kannon. No caso de uma senhora que teve um aborto e sofria com isso, ela foi ao templo e rezou para o Bodhisattva Jizo, pois este Bodhisattva se ocupava especificamente das crianças. No caso de aborto, muitas senhoras vêm rezar para este Bodhisattva.  Essas crianças mortas não têm pai nem mãe. Eles queriam construir uma torre de pedra.  Quando a torre ficava pronta, o diabo chegava e a destruía e era necessário recomeçá-la. Neste caso, o Bodhisattva Jizo chegava sempre na forma de um monge. Ele usava o okesa e com seu okesa ele cobria as crianças e o diabo não as podia ver.  Esta também é a força do grande kesa.  Existe de fato um Bodhisattva que fez um voto de vir ajudar para cada tipo de sofrimento. </p>
<p>A imagem de Maitreya é a seguinte: O Buda Maitreya já está lá, ele começou a praticar junto com o Buda Gautama, mas ele entrou no nirvana antes do Buda. Ele está, hoje em dia, no paraíso de Tusita situado no trigésimo-terceiro céu (tosotsu-ten), ele se prepara para vir quando o Buda Shakyamuni se for, não exatamente quando, mas isto acontecerá em milhares de anos. </p>
<p>Na verdade, isto não faz sentido para nós. Trata-se de filosofias ou idéias que vêem de outros países não-budistas, como da Índia depois das destruições, de acontecimentos terríveis, este tipo de fé, um pouco aparentada ao apocalipse, surgiu.</p>
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		<title>O Despertar e a Personalidade</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:39 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Pergunta: Cada pessoa tem sua própria personalidade com seus dons, sua história. O que acontece com tudo isso depois do despertar? Resposta: Quando você planta uma semente de crisântemo, dá uma flor de crisântemo. Quando você planta uma semente de orquídea, dá uma flor de orquídea. As flores são diferentes, mas quando a primavera chega, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta</strong>:  Cada pessoa tem sua própria personalidade com seus dons, sua história. O que acontece com tudo isso depois do despertar?</p>
<p><strong>Resposta</strong>: Quando você planta uma semente de crisântemo, dá uma flor de crisântemo. Quando você planta uma semente de orquídea,  dá uma flor de orquídea. As flores são diferentes, mas quando a primavera chega,  elas se abrem, isso é o importante. Para certas pessoas, a flor se abre mesmo que elas não pratiquem.  Na verdade todas as pessoas já estão totalmente abertas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Samadhi</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:39 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Pergunta: Há algo que eu não consigo compreender bem quanto ao samadhi. Diz-se freqüentemente: &#8220;entrar&#8221; ou &#8220;sair&#8221; do samadhi. Então, é como estado em tempo reduzido, como por exemplo durante a sentada no zazen e de outro lado, se diz dos budas e patriarcas que eles &#8220;nadam&#8221; nesse samadhi, o que dá a impressão que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta</strong>:  Há algo que eu não consigo compreender bem quanto ao samadhi. Diz-se freqüentemente: &#8220;entrar&#8221; ou &#8220;sair&#8221; do samadhi.  Então,  é como estado em tempo reduzido, como por exemplo durante a sentada no zazen e de outro lado,  se diz dos budas e patriarcas que eles &#8220;nadam&#8221; nesse samadhi, o que dá a impressão que eles estão permanentemente nesse samadhi.  Será que estamos falando da mesma coisa, ou serão duas coisas diferentes?</p>
<p><strong>Resposta</strong>:  Este tipo de samadhi é diferente de dhyana, &#8220;meditação&#8221;.  É algo que está &#8220;atrás&#8221; do tempo e do espaço.  Samadhi é, por vezes,  sinônimo do satori;  não é unicamente estar sentado no zazen.  Quando se entra nesta experiência do samadhi,  quer dizer, satori, claro que você pode viver livremente,  em movimento na vida cotidiana,  se bem que o vivamos de forma totalmente diferente já que se tem constantemente esta conexão com o samadhi fundamental.  Então, é viver o samadhi dentro do movimento.  Se você tem esta experiência dharmakaya, pode viver de forma dinâmica. </p>
<p>Às vezes, muitas coisas &#8211; diferentes umas das outras &#8211; se passam, e às vezes,  perde-se esse contato, mas se pode sempre voltar a esse contato, voltar à origem deste samadhi, na prática do zazen.  O zazen é a base.  É por isso que existem tantos koans. Se você tem esta experiência de samadhi uma só vez, sempre se pode voltar a ela e assim achar de cada vez uma solução. </p>
<p>Existem três samadhis:  samadhi &#8211; a experiência fundamental &#8211;  em seguida na vida cotidiana, praticar e em seguida esquecer.  É o mais difícil.  Isso é todatsu (&#8220;ultrapassar&#8221;, &#8220;rejeitar&#8221;),  é isto que se chama &#8220;o Buda atrás do Buda que não deixa traço algum&#8221;, que ninguém pode ver.  Você se torna um homem, simplesmente.  É o contrário de querer aparecer como um mestre ou um roshi com distintivos que caem do ombro.  Este estado é kando, que se encontra em toda a primeira frase do &#8220;Shodoka&#8221;:  &#8220;O homem tranqüilo do caminho, que não mais age&#8221;. </p>
<p>Leiam todos estes textos, &#8220;Sandokai&#8221;, &#8220;Hokyo zanmai&#8221;, &#8220;Shinjinmei&#8221; e leiam também o &#8220;Shobogenzo&#8221; e releiam-no também. Existem certas passagens, certas partes as quais já se pode aproveitar. A leitura se torna &#8220;física&#8221;, é como uma parte de seus corpos. É a farmácia familiar em sua cesta, você sabe muito bem em que momento utilizar tal medicamento. Está bem?</p>
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		<title>O Sistema de Koans</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pergunta: Quanto ao sistema de koans, eu me pergunto se ultrapassar o koan &#8220;realizar o corpo cósmico do Buda&#8221;, não seria como realizar o objetivo do treinamento Theravada, quer dizer, virar Buda somente para si mesmo? Resposta: Quando realizamos este Dharmakaya, o corpo do Buda cósmico, isso não é para si mesmo particularmente. O problema [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta</strong>:  Quanto ao sistema de koans, eu me pergunto se ultrapassar o koan &#8220;realizar o corpo cósmico do Buda&#8221;, não seria como realizar o objetivo do treinamento Theravada, quer dizer, virar Buda somente para si mesmo?</p>
<p><strong>Resposta</strong>:  Quando realizamos este Dharmakaya, o corpo do Buda cósmico, isso não é para si mesmo particularmente.  O problema é que quando nós queremos obter algo, isso é um limite.  Eu já falei várias vezes da pobreza interna: nada desejar.  Se a pessoa quer algo, mesmo algo de bom, como a prática, o Despertar, essa vontade de obter algo vai virar um problema, um obstáculo.</p>
<p>Eu lembro a vocês os três pontos da pobreza interna:</p>
<p><strong>1.	Nada querer, não querer obter algo, como o Despertar através desta prática.<br />
2.	Não saber.<br />
3.	Não ter.</strong><br />
Por que? Não tem porquê.</p>
<p>O sistema de koans é uma vontade de obter o Despertar, começar a prática: sua função é a de eliminar essa vontade, de limpar tudo.  A primeira função dos koans é de &#8220;roubar tudo&#8221; dos praticantes: quando se quer obter, se tira essa vontade.</p>
<p>A função de &#8220;roubar tudo&#8221; é a função do mestre que deve ser muito forte para tirar isso de um outro.  O problema é que se uma pessoa é muito inteligente, ela tem um ego muito forte e não quer que retirem isso dela.  Na educação ocidental, a presença do ego é muito importante.  Observem a revolução francesa que aboliu as diferenças entre o rei e os súditos.</p>
<p>O Budismo remove este ego.</p>
<p>Nos dias de hoje, o Mahayana está quebrado, mas a verdade que nós praticamos está sempre presente.</p>
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		<title>Dokusan</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pergunta: Dokusan (entrevista com o mestre) se faz essencialmente durante a segunda parte do zazen durante o sesshin (retiro de meditação)? Resposta: Não. Na primeira parte senta-se em zazen; quando eu sinto o momento, eu me levanto e vocês ouvirão o sino que indica que o dokusan está pronto. Três pessoas se levantam e prosseguem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta</strong>: <em>Dokusan</em> (entrevista com o mestre) se faz essencialmente durante a segunda parte do zazen durante o <em>sesshin</em> (retiro de meditação)?</p>
<p><strong>Resposta</strong>: Não. Na primeira parte senta-se em zazen;  quando eu sinto o momento, eu me levanto e vocês ouvirão o sino que indica que o <em>dokusan</em> está pronto.  Três pessoas se levantam e prosseguem para a entrevista.  A pessoa que acabou volta ao dojo e se instala novamente em seu lugar.  O importante para o mestre é saber quem é o último.  É  por isso que é importante que a última pessoa diga que o é.  Em seguida, continuamos o zazen.</p>
<p>Eu lembro que somente aqueles que quiserem participam no <em>dokusan</em>.  O <strong>dokusan</strong> também pode ser praticado no seio de uma família,  a intenção é que, através disso, se pode ajudar, se pode influenciar.  É interessante conhecer melhor os participantes. Às vezes se pode falar de coisas que nada têm a ver com o zen.</p>
<p>Para o <em>tompai</em> é necessário abrir o <em>zagu</em>, que trazemos conosco. Tom quer dizer &#8220;instantâneo&#8221; tompai quer dizer &#8220;prosternação rápida&#8221;.</p>
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		<title>Mendigos</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pergunta: E quanto àquelas pessoas que ficam mendigando dinheiro na rua? Qual é a atitude que se deve ter ao cruzar com elas? Dar dinheiro? Que fazer? Resposta: Que faria você em tal caso? Questionador (seqüência da pergunta): Eu fico muito aborrecido, às vezes dou, às vezes não. Monge Tokuda (seqüência da resposta): Eu também. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta</strong>: E quanto àquelas pessoas que ficam mendigando dinheiro na rua?  Qual é a atitude que se deve ter ao cruzar com elas?  Dar dinheiro?  Que fazer?</p>
<p><strong>Resposta</strong>: Que faria você em tal caso?</p>
<p><strong>Questionador</strong> (seqüência da pergunta):  Eu fico muito aborrecido, às vezes dou, às vezes não.</p>
<p><strong>Monge Tokuda </strong>(seqüência da resposta):  Eu também.  Tendo eu mesmo praticado Takuhatsu, que é prática budista tradicional da mendicância, eu compreendo o ponto de vista daquele que recebe.  Às vezes eu dou e imediatamente vem uma outra pessoa e eu não dou duas vezes. Está claro que ninguém quer viver na rua, que tais pessoas aspiram a uma outra condição de vida.  Contudo é necessário se lembrar daquele velho ditado chinês: se você dá um peixe a uma pessoa, ele comerá uma vez, se você lhe ensinar como pescar, ele comerá toda sua vida.</p>
<p>Para compreender uma tal coisa, existem dois caminhos:</p>
<p>1. <strong>O estado do Dharma</strong>: apesar de suas condições de vida, essas pessoas continuam a viver e nós não compreendemos como. </p>
<p>2. <strong>O estado de consciência</strong>:  se nós penetrarmos neste mundo, não compreenderemos tudo. Por isso a experiência de sesshins nas ruas de Nova Iorque é interessante. Permite a pessoas ricas que vivam tais experiências; entrar nesse mundo para tentar compreendê-lo um pouco. </p>
<p>A prática do Zen é importante. Como diziam os antigos mestres, &#8220;seguir um caminho corretamente, sem pensar muito sobre isto&#8221;.  Naturalmente as dificuldades aparecem, mas vocês têm um bom Zen, quer dizer, a força de viver no mundo no qual estamos inseridos e quando aparecem dificuldades, estamos  prontos a lhes encarar.  </p>
<p>É a via do Bodhisattva: compreender os outros, suas situações não somente financeiras (mas se vocês julgarem necessário doar, não hesitem)  e sobretudo não agir excluindo tais pessoas,  nem lhes evitando. É necessário compreender que eles se encontram numa situação dependente de seus karmas, nós não lhes podemos ajudar, mesmo que o quiséssemos, porque eles não podem receber a ajuda.</p>
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		<title>Transmissão do Dharma</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Pergunte]]></category>

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		<description><![CDATA[Pergunta: A transmissão do Dharma pode ser dada a uma pessoa ou a várias? Resposta: Um mestre pode dar a transmissão do Dharma a vários discípulos, mas o discípulo recebe a transmissão somente de um mestre. Um discípulo pode receber a transmissão de um mestre e o deixar para ir praticar com um outro mestre. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta</strong>: A transmissão do Dharma pode ser dada a uma pessoa ou a várias?</p>
<p><strong>Resposta</strong>: Um mestre pode dar a transmissão do Dharma a vários discípulos, mas o discípulo recebe a transmissão somente de um mestre.  Um discípulo pode receber a transmissão de um mestre e o deixar para ir praticar com um outro mestre.  Entra na linhagem aquele que recebeu a transmissão. </p>
<p>Em geral, para um monge, existem três tipos de mestres.</p>
<p>O primeiro é aquele que faz a ordenação de monge ou de nome.</p>
<p>O segundo é aquele que faz a cerimônia de Hossenshiki &#8211; o combate do Dharma &#8211; que tem lugar quando se pratica num mosteiro,  e para o qual se é convidado quando se é shuso por um período de ango de noventa dias.  O shuso senta do lado do mestre.  O mestre dá um bastão de bambu,  shipei,  que quer dizer que lhe autoriza a demonstrar que você tem força suficiente para defender o Dharma e mostrar quanto vale como mestre.  Ele senta e todos os praticantes do ango lhe fazem perguntas.  Cada monge pode colocar de cinco a dez perguntas e dependendo do número de participantes, isso pode equivaler a cem perguntas. Nos dias de hoje, tudo já é orquestrado e as perguntas e respostas já estão escritas e é necessário somente se lembrar delas.  Isso tudo virou um ritual, uma cerimônia.  Mas de qualquer maneira é necessário mostrar uma energia, uma força. O mestre que dá esta autorização é o segundo mestre,  hobanshi, querendo dizer o mestre da bandeira do dharma porque quando se desenrola esta luta do dharma,   ergue-se  uma bandeira para anunciar para todo mundo que pode vir colocar uma pergunta.</p>
<p>Nos dias de hoje os monges em geral recebem a ordenação de seus pais. Depois de um treinamento no mosteiro, eles voltam e recebem a transmissão de seus pais e a linha vai de pai para filho. Nos tempos antigos, não era assim,  podia-se  ter dois ou três mestres.</p>
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		<title>Graça</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Pergunte]]></category>

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		<description><![CDATA[Pergunta: Que você entende pela palavra &#8220;graça&#8221;? Resposta: A graça para o Cristianismo, é o Espírito Santo que chega, não o procuramos; se o procuramos, ele não chega. Se você espera que ele chegue, quer dizer que você não está completamente pronto a recebê-lo. Se esperamos, não chega. Na história do zen, não se deve [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta</strong>: Que você entende pela palavra &#8220;graça&#8221;? </p>
<p><strong>Resposta</strong>:  A graça para o Cristianismo, é o Espírito Santo que chega, não o procuramos;  se o procuramos, ele não chega.  Se você espera que ele chegue, quer dizer que você não está completamente pronto a recebê-lo.  Se esperamos,  não chega.  Na história do zen, não se deve buscar nada. </p>
<p>A grande questão não é somente uma coisa intelectual a ser resolvida pelo cérebro.  Isso se torna uma bola de sombrias dúvidas que penetra não somente o inconsciente, mas também o consciente, não somente durante o zazen mas também durante o dia,  e durante dias.  E a pessoa mesma não se dá conta completamente deste estado.  Às vezes durante um <em>sesshin</em>, um monge não come muito e outros o observam,  como o casulo da seda que pára de comer folhas e se torna transparente.  A pessoa não se dá conta desse estado porque ela está presa nele, mas outros o observam.  </p>
<p>Esse tipo de estado nos lembra uma história de Ananda. Quando o Buda morreu, quinhentos arhats, grandes seres despertos, se reuniram para fazer um congresso e Ananda não foi admitido porque ainda não era arhat. Ele tinha estado durante vinte anos próximo do Buda Gautama, memorizando todos os sutras e ainda não tinha obtido a iluminação.  Ele sofria muito. Fazia muita meditação e não chegava a parte alguma.  Então ele se abandonou e caiu de fadiga, mas antes que sua cabeça tocasse o solo,  ganhou a iluminação. Esta é uma das versões,  existe outra.  Então ele se levantou e foi ao congresso e pediu para entrar.  Disseram-lhe, &#8220;Se você quer entrar, entre pelo buraco da fechadura&#8221;.  E o texto diz que ele abriu somente a porta e entrou.  Com isso todos viram que ele havia ganho a iluminação.</p>
<p>Então, no conflito, no instante onde não podemos mais ir adiante, não se busca mais, abandona-se tudo,  então isso vem.  Isso é a graça.  Especialmente quando não esperamos mais, mushotoku.  Mas antes disto, há a dúvida, especialmente na escola Rinzai, a Grande Dúvida, Daishi, a Grande Morte.  Em todas as vias místicas, o Cristianismo, o Sufismo,  não somente no Budismo, há algo de parecido.  A graça se dá quando não se espera mais nada, mas tal situação se prepara tanto fisicamente quanto emocionalmente.</p>
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		<title>Prática Incessante</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Pergunte]]></category>

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		<description><![CDATA[Pergunta: O que quer dizer prática incessante? Resposta: Prática incessante quer dizer o espírito do despertar, a iluminação, o nirvana que forma o anel do caminho. Achar que, porque obtivemos o despertar, já podemos parar é falso. Mesmo os budas e os patriarcas não podem escapar disto. Na Escola Zen, não é bom ser muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><strong>Pergunta</strong>: O que quer dizer prática incessante?</p>
<p><strong>Resposta</strong>: Prática incessante quer dizer o espírito do despertar, a iluminação, o nirvana que forma o anel do caminho.  Achar que, porque obtivemos o despertar, já podemos parar é falso. Mesmo os budas e os patriarcas não podem escapar disto.</p>
<p>Na Escola Zen, não é bom ser muito inteligente, porque então se pode achar muitas razões para escapar e isso demonstra que o ego é muito forte.  A prática do zen é o contrário, sem ego.  Mas o fato de ser estúpido ou inteligente não tem importância, somente é preciso praticar.  </p>
<p>A fé na prática é importante:  de um lado quer dizer que não compreendemos nada, mas de outro lado quer dizer que se sente em segurança, que se tem confiança na prática e isso está bem.  Eu sou assim e vocês são assim.</p>
<p><strong>Pergunta</strong>: Se pode ter fé e ao mesmo tempo praticar um tipo errado de zazen?</p>
<p><strong>Resposta</strong>: Às vezes sim> Por isso é importante encontrar com um mestre correto.</p>
<p><strong>Pergunta</strong>: Essa fé é a alegria?</p>
<p><strong>Resposta</strong>: Chama-se a isso de alegria do Dharma e não se pode comparar isso a nada do mundo. Vale a pena dar sua vida por tal coisa.<br />
</strong></p>
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		<title>O Zazen e o Sono</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 23:58:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Pergunte]]></category>

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		<description><![CDATA[Pergunta: Queria saber se a prática tem efeito sobre o sono. Como o tempo o sono diminui, e acordamos muito mais cedo. Resposta: Se o seu zazen é muito profundo, você dorme menos, mas mais profundamente. Em geral, dorme-se seis horas. Quando se entra no samadhi, a atividade fica muito próxima do sono profundo. Quando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta</strong>:  Queria saber se a prática tem efeito sobre o sono.  Como o tempo o sono diminui, e acordamos muito mais cedo.</p>
<p><strong>Resposta</strong>:   Se o seu zazen é muito profundo, você dorme menos,  mas mais profundamente. Em geral, dorme-se  seis horas.  Quando se entra no samadhi, a atividade fica muito próxima do sono profundo.  Quando se entra profundamente na meditação, se pode facilmente adormecer. </p>
<p>Mas, por um lado, o sono também é um costume. Se sentarmos e fecharmos os olhos podemos facilmente adormecer.  Precisa prestar atenção. No que nos toca, quase todos habitamos numa grande cidade, então chegamos no sesshin e brutalmente despertamos às 4:30 da manhã, existem pessoas que perdem o sono quando trocam de cama, o que favorece o sono no zazen. </p>
<p>Mas no meu caso, eu não me preocupo muito com o sono durante o zazen. Por duas razões: se estamos cansados, decidimos que durante o zazen dormiremos, e então dormimos, mas secretamente. E no zazen seguinte, não se dorme mais.  A outra possibilidade: não nos ocupamos deste problema por que se dormimos o kyosaku vai chegar. </p>
<p>Nosso sesshin se compõe de oito zazen diários, não é muito. Mas quando nos levantamos às 2 da manhã se chega ao limite da capacidade física e há somente o espírito para nos levar adiante. Mas nesses estados, muitas coisas ocorrem, sonhos, alucinações, não sei mais o que, mas é muito interessante. Existem pessoas que combinam o uso de drogas com esses estados particulares, esses makyo (alucinações). </p>
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